Em jornais, iniciando sua atuação pelo impresso, com 11 anos de idade, começou como vendedor dos exemplares do jornal A Tribuna Regional, na cidade de Santo Ângelo, considerada a Capital da Missões, distante 458km de Porto Alegre. Na época, A Tribuna Regional era em preto e branco, como os demais jornais do interior, porém, a informação sempre foi com credibilidade e de grande alcance. Pouco tempo depois, virou entregador de jornais. Cedo da manhã, A Tribuna Regional chegava aos lares dos santoangelenses.
A sua paixão pelo jornal começou ali, com apenas 11 anos de idade. Desde cedo costuma comprar jornais da cidade e exemplares que vinham de Porto Alegre para o interior durante a madrugada.
Eventualmente aparecia algum de São Paulo, mas acesso era apenas para os requintados. Afinal, Folha de S. Paulo sempre foi sinônimo de requinte, ainda mais no interior do Rio Grande do Sul.
Conforme a paixão foi aumentando, mais jornais eu comprava. Jornais de todos os lugares.
As oportunidades também foram aparecendo.
Morei em Frederico Westphalen, cidade essa situada no Alto Uruguai, cujo o nome do jornal também é: O Alto Uruguai - referência na cidade e região. Na época em que estive por lá, visitei e conheci a primeira gráfica de jornais da minha vida. Uma máquina grande e barulhenta imprimia o Alto Uruguai, que tinha sua sede na Rua do Comércio, no Centro de Frederico Westphalen. Eu ainda jovem apenas conhecendo o mundo fantástico da informação, me surpreendi com tudo aquilo.
Logo arrumei um trabalho de carácter temporário na cidade frederiquense. Fui trabalhar na Gráfica América, no bairro Fátima.
Vocês nem imaginam, tinha muitas máquinas e dia e noite imprimindo coisas e mais coisas e entre elas: Jornal!
Beleza! Aquilo era um sonho para mim. Imprimir jornal em todas as sequencias. Fotolito, chapa, seleção de cores e tudo mais. O interessante que eu imprimia um jornal pequeno é verdade, poucas páginas e apenas duas cores: vermelho e preto. O jornal era para a cidade de Dionisio Cerqueira, no extremo oeste catarinense.
Mas a vida segue e já na capital de todos os gaúchos, banca pra mim só interessava jornais. Em Porto Alegre o que não faltava e ainda não falta são jornais. São infinitas opções. Além dos tradicionais Zero Hora, Correio do Povo, Jornal do Comercio... tinha outros é verdade.
No ano 2000, na época, acompanhei o nascimento de dois grande veículos de informação impressa: Diário Gaúcho e O Sul. Hoje, 12 anos depois, são referência em todo o Estado.
Já por outras bandas deste Brasilzão, mais precisadamente em São Paulo, outros tantos jornais eu conheci. Meu Deus! Um mar de jornais e todos pendurados nas bancas. Eu não dava conta de ler todos. Mas lia.
Era dos populares aos mais redundantes de opinião exemplar. Jornais que tinha que ter um dicionário no lado.
Em Jundiaí, Itatiba e Campinas não foi diferente, mais jornais. Muitos jornais.
Voltando para o Sul, em Curitiba, cidade fria que Deus me livre. Dessa linda cidade até os dias de hoje só lembro do frio da capital paranaense. Por lá, coisa chique! Jornais e mais jornais.
Mais ao Sul, em Joinville, maior cidade populacional de Santa Catarina, mais jornais. Gostava de ler o A Notícia. Tinhas outros lá. Havia jornais em alemão. Emissoras de rádio também. na escrita e radiofônica tudo em alemão. Só não vinha tradutor nas páginas.
Mas que nada, mesmo sem entender nada do que estava escrito naquelas páginas, seguia ainda mais apaixonado pelo Fantástico Mundo dos Jornais.
Agora ainda mais ao Sul, de volta a capital portoalegrense e em seguidinha fui para Cachoeirinha, cidade divisa com Porto Alegre. Lá morando na estreita cidade que leva o nome de uma pequena queda d'água, cidade pobre em mídia impressa. Nem tenho o que falar. Mas no passar dos dias, morando em Cachoeirinha e trabalhando no centro automotivo Zago, em Porto Alegre, próximo a área central, no intervalo, ficava catando jornais dos colegas e da sala de recepção. Eu já em outro centro automotivo RM Pneus/Michelin, comecei no intervalo, ir até a rodoviária comprar diariamente jornais do eixo Rio-São Paulo e as vezes o El Clarín de Buenos Aires. Aliás, El Clarín foi o primeiro jornal estrangeiro na qual eu tive contato. Nossaaaa... foi incrível quando eu coloquei as minhas mãos no exemplar com escrita em espanhol e uma voz cortando o meu clima com o jornal: "Ei moço?! Quatro reais o jornal. Vai levar? Nem abri a boca. Paguei logo e fui pelo caminho de volta a empresa contemplando a capa, contracapa...
Na empresa de pneus em que eu trabalhava, sei lá o que deu em mim que com caneta esferográfica e uma folha branca no tamanho A4, criei o informativo Jornal do Banheiro. Quem sabe para você que está lendo agora não seja grande coisa, mas para aqueles funcionários todos, vixe! Foi loucura total.
O patrão mandou que cada exemplar que fosse editado, fosse ao menos um arquivado.
Mas antes de pegar novos rumos, tive a oportunidade de ler algumas vezes o Gazeta Mercantil e também, um jornal francês que ganhei do meu ex-patrão da Michelin. Detalhe, junto com o exemplar ele me deu o dicionário francês/português.
Mas a vida é uma caixinha de surpresa mesmo. Morando no bairro Mathias Velho, em Canoas, conheci uns cara pancada da cabeça que eram os donos do Jornal da Mathias. Fui lá nos acertamos no nosso bate-papo e enfim todos juntos pegando matérias e o jornal bombando e tudo a mil maravilhas. Tirando todos os imprevistos, tem uma coisa boa de lá, a oportunidade de conhecer todos os jornais do interior do Rio Grande do Sul em uma única vez.
Isso aconteceu em 2011, no 49º Encontro de Jornais do Interior do Rio Grande do Sul, promovido anualmente pela ADJORI, que teve a sede escolhida para aquele ano em Frederico Westphalen, Iraí e Ametista do Sul. Foi maravilhoso esse encontro. Muitos debates. Conhecendo profissionais do meio jornalístico do interior e conhecendo as três cidade sede do evento. Eu no meu caso, já conhecia as cidades. Conheci a nova instalação do O Alto Uruguai (Redação e Gráfica). Fomos muito bem acolhidos pela turma do jornal.
Saindo do Jornal da Mathias, magoado com algumas coisas segui em frente e fundei o Folhetão. Canoas saturado de tantos jornais, o meu sobreviveu até a décima edição.
Mas hoje, conhecendo e vendo diariamente jornais que surgem em Canoas e região, sigo firme no impresso chamado Folha de Canoas.
(_Venicius Maciel_)
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